A última fronteira

 

A última semana de agosto foi para mim intensa e interessante. Numa viagem que começou no aeroporto de Seattle e que está terminando hoje 31 de agosto no Chile, embarquei em nove aviões diferentes passando por Dallas, São Paulo, Brasília, Palmas no Tocantins, Belo Horizonte e finalmente estou cruzando a America do Sul para chegar a Santiago ao meio dia de domingo. Por enquanto, já foram quase 27 horas de vôo sendo que ainda me restam mais 16 até o regresso ao lar doce lar na quarta-feira. No total serão 43 horas, sem contar as intermináveis esperas em saguões de aeroportos e filas de check-in.

Tanto esforço teve como objetivo a minha participação como palestrante em dois importantes eventos no Brasil e outro que ainda se fará no Chile. O primeiro deles foi em Brasília, no Seminário organizado pela IDC, uma das mais importantes empresas de consultoria e análise de mercado na área de Tecnologia da Informação. Este evento contou com a participação do deputado Jorge Bittar e de outros nomes de peso da administração federal, como Rogério Santana e Renato Martini, responsáveis por definir as políticas do Brasil em matéria de TI. Além das apresentações, pudemos debater questões de importância sobre estas políticas e suas conseqüências sobre a sociedade. Com um público de 120 pessoas, composto pelos principais gestores de TI do Governo Federal, o evento foi alvo de destaque nas notícias que circulavam por Brasília durante a semana.

O outro evento foi, no entanto um marco. Trata-se da reunião anual da ABEP, a entidade que congrega todas as empresas governamentais de processamento de dados dos estados Brasileiro, incluindo-se também como tal, o Distrito Federal.

Realizado em Palmas no Tocantins, este evento contou com presença de mais de 500 participantes e foi certamente um desafio de logística para os responsáveis, já que organizar um evento desta magnitude em Palmas, uma cidade que ainda esta nascendo no coração do Brasil, foi sem dúvida um ato no mínimo arrojado. Não há hotéis com capacidade para abrigar todos os participantes, que tiveram que ser acomodados em várias pousadas espalhadas pela cidade. O Centro de Convenções ainda não está totalmente pronto e para alojar a exposição dos patrocinadores, foi construída uma pequena estrutura de estandes dentro do ainda inacabado prédio. Assim foi possível ter um local com ar-condicionado para que notebooks e palestrantes engravatados pudessem ter um alívio do calor quase desértico que domina o clima da Região.

No Centro Geodésico do Brasil, em plena área do cerrado, Palmas, a beira do Rio Tocantins, é um marco do arrojo de nosso país. Desde os anos cinqüenta, com a conquista do norte do Paraná, o Brasil expande suas fronteiras internas e não para de criar cidades com um dinamismo que não se vê em nenhum outro lugar do mundo. Palmas é hoje uma terra de pioneiros, desbravadores, aventureiros e criadores de fortunas. Com suas largas e imensas avenidas, cruzando uma terra quente e despojada, Palmas, tal qual Brasília é uma cidade que foi planejada antes de ser construída e dadas as semelhanças de clima e vegetação, Palmas me lembrou muito aquilo que vi em 1961 quando visitei pela primeira vez, a recém fundada Capital Federal. A grande diferença é que em Palmas as ruas são retas e em Brasília não havia retas fora do eixo monumental.

Portanto, se me perguntarem o que será de Palmas em cinqüenta anos, não é preciso ser Nostradamus para prever. Basta olhar o que é Brasília hoje.

Participar deste congresso da ABEP foi para mim, duplamente agradável. Primeiro por poder rever vários amigos que militam na área de informática no Brasil e que não os via há mais de três anos, desde que me mudei para os Estados Unidos. Mas o melhor mesmo foi conhecer Palmas e sua gente pioneira e amistosa. Gente que sem dúvida tem pela frente a dura batalha de construir o futuro promissor a que estão destinados, sob o forte e inclemente sol do cerrado, às sombras do Jalapão e às margens do imenso rio Tocantins.

Se Gabriel Garcia Marquez viesse a conhecer estes rincões, escreveria sem dúvida uma grande novela a respeito desta terra e de sua gente. Personagens que não fariam inveja aos Buendias, nem ao mundo mágico e fantástico de Macondo, que Gabo magistralmente nos legou em Cem anos de solidão.

Hoje, lá em Palmas, está a nossa última fronteira. Por enquanto

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              Palestra em Brasilia                        Mesa redonda do IDC              Palestra no SECOP em Palmas

 


        Chegando em Palmas                  Com o reporter da TV                    As amigas Palmenses

 

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