Bangladesh

 

O que dizer quando se visita Bangladesh? Nas 30horas que passei por Dahka, a capital do país, muito pouco pude ver, além de velhos automóveis destruidos e onibus caindo aos pedaços, degladiando-se a cada metro de rua em um transito infernalmente caótico. Impossível ver-se um carro que não tenha sinais de haver batido. Para proteger um pouco o que restam de seus veiculos, quase todos colocam grades adicionais sobre os parachoques originais, seja para servir como proteção ou facilitar empurrar o carro da frente. Ruas sujas e empoeiradas complicam ainda mais a terrivel poluição do ar deixada pelos escapamento de motores velhos e mal regulados. E isso sem falar dos velhos trens, superlotados de passageiros,dependurados pelas portas e janelas, equanto outras viajam com a maior naturalidade, nos tetos dos vagões, tais como surfistas em uma grandiosa prancha metálica.

Milhares de Rickshaws multicoloridos, movidos pelos músculos mirrados de seus codutores, atravancam ainda mais as ruas desta cidade, mas esse é o meio de transporte mais popular de Dahka. Com eles competem os Tuk-Tuks com seus motores sujos e barulhentos de 2 tempos e massas de pedestres a vagar e a pedir esmola entres os congestionamentos infindáveis.

DSC_1630

 DSC_1677

Bangladesh é um dos paises mais pobres do mundo. De maioria islâmica, deixa no entretanto entrever a enorme influência hindu nas roupas, nos tons de pele de seu povo e nos temperos de sua culinária. Neste pais não há estátuas, não há bares e não se veem sorrisos. A pobreza infinita está exposta em carne viva a cada esquina e em cada praça, nas crianças nuas nos colos das mães a bater nos vidros de cada carro que passa, expressando em suas faces, a cara da dor e da fome.

Se existe uma imagem que talvez possa descrever o que vi em Dahka, ela talvez seja a do Armagedon. O caos, miséria e sofrimento que se ve em Dahka, só nos permite pensar que assim será o mundo após o apocalipse.  

DSC_1711Fui a trabalho a Bangladesh. Fui para fazer o meu discurso de como a tecnologia pode mudar sociedades, criar riquezas e promover o bem estar social. Ouviram-me gentes que podem mudar as regras do jogo daquele pais. Espero que assim o façam.

Lamento apenas não ter podido me encontar com o Dr. Mohamed Yanus, a quem conheci exatemente há dois anos atrás neste mesmo mes de outubro nos Estados Unidos, e que com seu trabalho de oferecer micro crédito para mulheres nas comunidades mais carentes de Bangladesh, esta conseguindo mudar um pouco a face deste pais. Isso lhe rendeu o premio Nobel da Paz.

E lamento também não ter tido energias para fotografar mais em Bangladesh. Fotos que pudesse ter tirado, talvez servissem de alerta para quem reclama da vida. As faces do povo, o vestir colorido e o caos de Dahka são inesqueciveis, mas confesso que me senti muito mal em fotografar aquelas tristes imagens, para depois revê-las no conforto do ar condicionado do meu hotel cinco estrelas.

 

Ficam aqui apenas algumas poucas imagens que tive coragem de capturar mas que não revelam a profunda tristeza que se repira em Bangladesh.

 

Technorati Tags: ,

Advertisements
This entry was posted in Travel. Bookmark the permalink.

One Response to Bangladesh

  1. Marcos says:

    Belas fotos Lorenzo, eu estou indo pra lá em duas semanas, e farei uma paradinha em Kathmandu no caminho. Espero poder tirar algumas fotos de Bangladesh, ai trocamos figurinha. Mas que você me deixou com um pé atrás, ha deixou. Vou conferir. Abraços

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s