A Primavera de Praga

No início de 1968, quando a Cortina de Ferro ainda cobria boa parte de Europa, Alexander Dubcek foi eleito secretário do partido comunista na Tchecoslováquia e deu inicio a uma série de reformas democráticas, que pretendiam dar mais liberdade aos cidadãos daquele país.

No entanto, em 21 de agosto, o mundo atônito viu em apenas uma noite, 200.000 soldados soviéticos, invadiram vários países da região e massacrarem toda e qualquer esperança de transformação do regime, destruindo o sonho alimentado por estudantes e intelectuais reformistas que apoiavam Dubcek. E assim, pelos próximos 30 anos, o inverno comunista continuaria a cobrir a Tchecoslováquia, até o esfacelamento do regime soviético, iniciado com a queda do muro Berlim em novembro 1989.

Após a invasão, manifestações populares começaram a acontecer por todo pais. Em Praga, Jan Palach, um estudante universitário, ateu fogo a si próprio em protesto a ocupação soviética, causando na época um furor mundial contra jugo ferrenho dos invasores. Milhares de habitantes de Praga saíram às ruas para exigir o fim do domínio comunista e vários outros estudantes seguiram o gesto de Palach. O mundo via ali o florescer da esperança de liberdade para a Tchecoslováquia e para os outros paises daquela região, mas essa esperança acabou sendo esmagada pela tirania e pelo poder dos tanques do pacto de Varsóvia. Por terem acontecido nos meses da primavera europeia de 1968, estes fatos da história ficaram conhecidos como a Primavera de Praga, numa simbólica comparação a explosão de vida representada pela estação das flores.

Os acontecimentos em Praga nos anos 60 fazem parte vívida da minha memória e dos que fomos dessa geração que nos dividíamos entre os que acreditávamos nas liberdades democráticas e aqueles que pensavam ser o comunismo a forma de transformar o homem, através da criação de um nova sociedade. O tempo, como senhor de todas as coisas, se encarregou de mostrar aonde residia a verdade.

Por isso, minha ida a Praga neste final de março, representou uma oportunidade não só de relembrar os fatos históricos que por lá ocorreram, mas como também de visitar uma das mais belas e interessantes cidades do mundo. Distante dos bombardeiros que destruíram as capitais da Europa durante a segunda guerra mundial, o centro histórico de Praga ainda mantem edificações do século XIV, lindamente preservadas entre suas vielas medievais. O famoso relógio astronômico, aonde um pequeno cortejo de estátuas simbólicas saem da torre para desfilar ao badalar de cada hora cheia, causava espanto na população da cidade quando foi construído e ainda hoje, traz sorrisos aos milhares de turistas que por lá se perfilam a cada hora, para ver e ouvir a procissão das pequenas estátuas, num espetáculo que vem se repetindo todos os dias desde 1410, ou seja, há mais de seiscentos anos.

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O que falar então da ponte Charles ou da Catedral Gótica de São Wenceslau dentro dos jardins do Palácio de Praga? São tantas as igrejas, torres e edifícios e locais históricos que há para conhecer nesta cidade, que não me seria possível descrever todas as belezas com o mérito que Praga merece. Por isso deixo as fotos falarem por mim.

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Minha vista a Praga ocorreu nos últimos dias do inverno de 2012. Depois de um primeiro dia cinza, nublado e extremamente frio, a temperatura se elevou e o céu se abriu em um azul anil esplendoroso, em um claro sinal de mudança de estação. Pude ver então que todos nós estávamos a tirar nossos pesados casacos escuros para usar camisetas leves e coloridas. O sorriso se estampava no rosto dos locais e dos turistas.

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Lembrei-me então dos fatos históricos que contei no começo deste texto e numa feliz metáfora, posso dizer sorrindo, que eu vi chegar a Primavera de Praga.

E desta vez, não haverá tanques para impedir que ela floresça.

Ver Fotos

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