Bucarest, Tiririca e a Florentina

A primeira sensação que tive ao desembarcar em Bucareste, foi a mesma que tenho quando visito o Nordeste no Brasil. Talvez difícil de explicar, mas sente-se nas calçadas estropiadas e nos mendigos maltrapilhos que perambulam a noite pelo centro da cidade, que este pais passou por grandes dificuldades e que ainda convive com um alto grau de pobreza.

Por outro lado, o ferrenho regime Marxista que o ditador Ceaucescu impôs a este pais, permitiu que a cidade mantivesse intacto os belos edifícios e mansões construídos antes da chegada do comunismo. Bucareste conserva imensas avenidas arborizadas, com casarões e palacetes, lembrando-me muito do que foi a Av. Paulista no tempo dos Barões do Café. A forte economia baseada na agricultura criou classes poderosas, tanto lá como no Brasil e o resultado foi mesmo fenômeno imobiliário nos dois lados do Atlântico.

Não foi por coincidência que essas grandes avenidas de Bucareste e são Paulo, fossem criadas à semelhança das de Paris. Havia um claro proposito em se copiar tudo que fosse de origem Gaulesa, já que a França nesse período era o berço das grandes transformações cientificas e culturais que aconteciam no mundo e Paris era considerada a Cidade Luz. Para se parecer ainda mais com Paris, Bucareste até construiu sua versão da “Place d’Etoille” com direito a uma cópia quase perfeita do Arco do Triunfo. Romenos usam muito mais  “merci” para dizer obrigado do que o nativo  “vă mulţumesc” .

A queda do ditador Ceaucescu, é uma estória que os Romenos incorporaram à memória nacional e é contada por qualquer um a quem se pergunte: O todo poderoso homem que comandou como imperador romano aquele país, acabou colocando o rabo entre as pernas e tentou uma fuga espetacular de helicóptero, quando a revolução pela liberdade se aproximava do palácio aonde ele se encontrava. A fuga não deu certo. Ceaucesco foi capturado e imediatamente levado a um julgamento sumario. Ele e sua mulher foram sentenciados a morte. Um filme mostrando o últimos minutos de vida do deposto líder frente ao pelotão de fuzilamento, foi a grande sensação dos noticiários de televisão naqueles dias.

Amigos de origem Romena, que puderam finalmente visitar seus parente logo após a queda do regime, falaram-me sobre o grau de miséria e sujeira que eles haviam encontrado em Bucareste, mas hoje, depois de tantos anos, o pais parece ter saído do fundo do poço e se ainda se veem sinais de pobreza pelas ruas, vê-se também um povo bem educado e bem vestido, carros modernos, hotéis de luxo e restaurantes cheios de gente.

Durante anos, a Romênia abrigou em suas terras enormes contingentes de ciganos e é por isso que a língua falada por este nômades é chamada por eles de Romani, muito embora nada tenha em comum com o Romeno. Esta convivência secular entre estes povos influenciou claramente a cultura local e não é por acaso que as músicas e danças populares romenas contenham fortes elementos das danças ciganas.

Pude observar este fato pois fui convidado a assistir um espetáculo de música e dança em um velho casarão do centro antigo de Bucareste, num local chamado “Caru cu Bere” e foi lá que fiz uma grande descoberta. Por coincidência, no dia anterior havia lido uma nota sobre Tiririca, o palhaço-deputado (ou será deputado-palhaço???), que estava lançando um novo CD com músicas sobre Brasília. Lembrei-me imediatamente do grande sucesso que foi Florentina, a singela música circense que fez famoso o palhaço. O sucesso foi tanto que ele acabou deputado. Mas é a tal da Florentina? Tiririca nunca contou quem era a tal da moça. Mas a minha incessante curiosidade de Sherlock-Holmes levou-me a estes confins do mundo para poder finalmente e em primeira mão, revelar a meus leitores a verdadeira e única Florentina que encontrei trabalhando em um espetáculo circense nada mambembe em Bucareste. E para ninguém contestar, eis aqui as provas e não deixem de ler o nome completo da moça. Tá explicado Tiririca, por que você se apaixonou pela Florentina…

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One Response to Bucarest, Tiririca e a Florentina

  1. Pedro Bocchini says:

    Muito legal seu Blog Lorenzo e bastante elucidativo…. Continue escrevendo…

    Um abraco,

    Pedro Bocchini

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