Escalando o St. Helens

 

Transcrevo aqui as notas escritas pelo meu amigo portugues, Carlos Brito, companheiro de escalada, sobre a nossa tentativa de chegar ao cume do Vulcão St. Helen, aqui nos EUA no dia 30/Agosto/2014.

 

Galera aqui está o relato nas fotografias. Não tem fotografia no topo porque não conseguimos chegar e tivemos que regressar quando estávamos a cerca de 3Km to topo. Ontem há noite estávamos bastante esperançados que o tempo ia estar razoável hoje quando vimos o céu estrelado. Levantamos às 5am mas já  não tinha estrelas. Contudo a temperatura parecia bastante boa e não estava a chover. Saímos por volta das 5:45am depois de termos voltado porque me apercebi que tinha esquecido de calçar as botas de hike 🙂

No caminho apercebemo que tinha chovido de noite. O tempo estava bastante nublado e nevoeiro quando chegamos no inicio do trail. Contudo parecia estar um tempo razoável para conseguirmos chegar no topo. Não tinha vento, a temperatura estava boa e ainda não estava a chover.

Começamos confiantes. A parte da floresta é bastante fácil e fez-se sem problema. Fizemos uma paragem no último banheiro antes de começar os boulders e encontramos os guias com um grupo de hikers. Neste ponto já estava a chover mas ainda estava aceitável.

Sair da floresta foi bastante interessante ver como tem árvores menores como se a floresta estivesse lentamente reconquistando a montanha. A parte dos boulders é difícil e ter luvas ajuda muito, mais que os poles. Eu não tinha luvas. Neste momento o grupo guiado está na nossa frente e foi uma subida lenta nesta parte. (…)

Depois dos boulders iniciais ficou um pouco mais fácil mas muito mais difícil que a floresta. Começou ventando mais forte e a chover mas continuava suportável. Continuamos atrás do grupo guiado mais algumas milhas. O nevoeiro piorou e o permit não parava de fazer barulho na minha mochila devido ao vento. (…)

A certa altura o grupo guiado parou para uma pausa e eu decidi passar à frente e continuar. Lorenzo, Beth e Lucidio ficaram stuck no grupo. Eu continuei mais uma meia hora acho eu mas fiquei observando que o grupo também estava a subir e não me quiz afastar muito. (…)

Mais acima perto dos 6,400 pés eu acho, o tempo piorou muito. Começou a ventar muito forte e eu comecei a sentir frio. Acho que a temperatura deu uma caída forte. Decidi parar para vestir mais uma layer e esperar pelos companheiros. Nesta pausa eu comecei a ter bastante frio mesmo depois de vestir mais uma layer. As mãos não estavam felizes sem luvas. (…)

(…) Lucidio, Beth e Lorenzo chegaram e o grupo guiado também. O Lorenzo nesta altura já se tinha apercebido que não ia dar para chegar ao topo e resolveu regressar. Levou a chave do carro e um dos walkie-talkies que eu tinha para nos comunicarmos. (…)

O grupo guiado também parou e decidiram regressar quase todos excepto uns 3 ou 4 que seguiram. Eu, Beth e Lucidio decidimos continuar. Subimos mais uns 15 minutos e eu deixei de sentir as minhas mãos. As minhas calças estavam completamente molhadas e as pernas, e os pés parecia que estavam a caminhar em poças de água. E as minhas botas são impermeáveis mas talvez a chuva tenha entrado de lado porque são curtas. (…)

Decidi aceitar que não estava preparado para continuar com este tempo. Custou aceitar mas quando deixa de se sentir as mãos e se sente completamente molhado não é boa ideia subir mais 600m de altitude com o tempo a deteriorar. (…)

Declarei a minha intenção de regressar ao Lucidio e Beth. Acho que se não fosse eu eles continuariam. Desculpem. Nesta altura já nem conseguia mais usar as minhas mãos e tive que pedir ao Lucidio para me fechar os poles para colocar na mochila para poder ter as mãos mais protegidas na descida. Ainda coloquei as luvas do Lucidio mas não ajudou muito porque estavam molhadas. (…)

(…) Como o tempo estava a piorar com frio, chuva e vento o Lucidio e Beth também decidiram regressar. Nesta altura há medida que fomos descendo apercebemo-nos que quase toda a gente estava a regressar. Encontrei um casal que estavam a tentar pela segunda vez depois de não terem tido sorte com o tempo o ano passado. Estavam também a regressar. (…)

Depois de ter descido bastante comecei a sentir as mãos outra vez e a sentir a temperatura mais estável mesmo estando molhado. Tinha menos vento cá em baixo o que ajudou. O Lorenzo comunicou-me que ia esperar no banheiro depois dos boulders mas como começou a chover mais decidiu continuar. (…)

Chegamos no carro um pouco desiludidos mas com vontade de tentar novamente. Eu pessoalmente aprendi muito com este hike mesmo não tendo chegado no topo e foi ótimo a companhia de Lorenzo, Beth e Lucidio.

 

 

Lorenzo Madrid Este é o percurso que fizemos:

http://app.endomondo.com/workouts/400174080/1492125

Lorenzo Madrid's photo.

Lorenzo Madrid Muito animados no começo dos Boulders:

Lorenzo Madrid's photo.

Lorenzo Madrid

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Lorenzo Madrid No Trail Head: A partida as 6:30am

Lorenzo Madrid's photo.

Lorenzo Madrid A floresta recomeçando:

Lorenzo Madrid's photo.

Lorenzo Madrid Sai da Frente……!!!!

Lorenzo Madrid's photo.

Lorenzo Madrid No fim a celebração, meu caro Carlos,  por que como diria teu conterraneo Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Lorenzo Madrid's photo.

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